A religião sempre teve ligações com o poder terreno. As lideranças religiosas sempre buscaram seus espaços como lideranças. Podemos ver isso nos profetas pós-abraâmicos - Moisés e Maomé nos são apresentados dessa forma; Jesus não, pois nossa sociedade é eminentemente cristã. Tenha certeza que, para outras culturas (não cristãs) a imagem de Jesus é proporcional à nossa visão dos outros profetas. Porque Moisés fugiu do Egito por ter matado um egípcio que brigava com um hebreu; Maomé, vivia numa comunidade em que o saque (butim) era praticado. Os profetas, obrigatoriamente, têm alto poder de convicção, e cercam-se de pessoas culturalmente inferiores. A quantidade de seguidores vai aumentando, até formar-se um movimento popular organizado, muitas vezes quebrando o vínculo absoluto com o fundador, abrindo caminho para novas lideranças.
Assim se faz uma religião. Nós, provavelmente, em nossos dias, acompanhamos o surgimento de um novo profeta: Edir Macedo.
Como contemporâneos do Edir, não nos damos conta de sua importância, mas ele já conquistou mais seguidores, em vida, que qualquer outro dos profetas. E, como sempre ocorre com os profetas vivos, ou você lhe é fiel, ou o odeia. A sua Igreja (Igreja Universal do Reino de Deus) se diz cristã, mas não segue os ensinamentos de Jesus, nem de nenhum outro profeta. Prega-se, na Universal, uma troca: você prova a Deus a sua fé, e ele lhe recompensa.
Mas de que forma você pode provar sua fé? Segundo a IURD, só há uma maneira: oferecendo todo o seu dinheiro à igreja. E a Universal apresenta a fortuna, a riqueza financeira como a recompensa predominante de Deus. Isso afasta a Universal dos fundamentos do cristianismo. Eles vendem milagres.
Sou natural do Rio de Janeiro, e pude acompanhar a evolução do Império Universal. No princípio, a IURD apresentava templos modestos, em regiões modestas,onde as igrejas surgiam às pencas, oferecendo soluções para quaisquer problemas familiares, sentimentais, profissionais, ou de qualquer outra ordem.
Mas você pode questionar como o sistema perdura se eles prometem e não cumprem. Você conhece o marketing de rede? Pessoas recrutam pessoas, que recrutam pessoas, que recrutam pessoas... Todos os membros das novas camadas favorecem os membros das camadas mais antigas. E para todos os novos membros é apresentada uma realidade maravilhosa, com exemplos de pessoas que prosperaram e enriqueceram através daquele sistema. Há um processo de lavagem cerebral que se baseia no poder de persuasão dos iniciados e na ambição dos iniciantes. Sem esses dois extremos, a cadeia não fecha. Há vários relatos de pessoas que perderam tudo o que tinham, até descobrirem que tudo não passava de uma farsa. Mas até chegar a esse ponto, os pretensos membros já terão vendido a idéia a várias outras pessoas que darão prosseguimento à corrente.
O que ocorre na Universal não é muito diferente, a não ser pelo
fato deles se apoiarem em um deus que é imortal. Anexos a esse artigo, coloco à disposição dos leitores vários vídeos do YOUTUBE, mostrando fatos reais dentro da IURD. Eu mesmo, com minha curiosidade incessante, fiz questão de ir algumas vezes a cultos da Universal para ver o que ocorria. Não me surpreendi com nada do que vi, pois já tinha algum conhecimento das práticas daquela religião.
Eles sabem o que fazem, conhecem seu público-alvo. Colocam-se contra aqueles grupos que contém elementos fracos, facilmente influenciáveis (seguidores em potencial da Iurd), como os umbandistas, por exemplo, que também aceitam o sobrenatural como algo muito natural. É muito fácil para a Universal convencer alguém que acredita que uma vasilha de barro (alguidar) cheia de uma determinada comida, ou um maço de cigarros, ou mesmo uma garrafa de cachaça, vai “agradar” uma entidade sobrenatural.
Por isso, os “pastores” e “bispos” da Iurd atacam de forma tão forte os “macumbeiros”: para conquistar os seus membros.
Eu, particularmente, não sigo nenhuma religião, mas admiro muito os kardecistas. São, em geral pessoas inteligentes e esclarecidas, e procuram, invariavelmente, ajudar espiritualmente, a todos os que precisarem. Não falam em dinheiro ou riqueza. Contra estes, a Universal não se coloca, pois seria muito difícil conquistar seus membros.
Contra a Igreja Católica eles às vezes se mostram, pois por sua amplitude, em nosso país católico por essência, apresenta-se uma diversidade muito grande entre os fiéis. Além do mais, uma pessoa pode dizer-se católica por acomodação, sem seguir ou mesmo conhecer os fundamentos da religião. Por uma questão de atualidade, a própria igreja católica tenta se reciclar, com uma postura mais “festiva”, com mais barulho e aclamação (a Renovação Carismática, com o Padre Marcelo Rossi é o maior exemplo), para evitar a continuidade da avassaladora perda de fiéis para os neo-pentecostais, iniciada na década passada.
O maior alvo dos ataques da Universal, ao lado dos umbandistas, é a REDE GLOBO. Mas a Rede Globo é religião? Não, mas atinge pessoas como se fosse, apresentando uma verdade absoluta. Entretanto, o molde do consumidor do “padrão globo” é a família católica, devido, principalmente às convicções de seu todo-poderoso, o jornalista e lobista Roberto Marinho, o equivalente global do Edir Macedo (os ricos também morrem). Mas a Globo não me pede dinheiro a todo instante, como o faz a Universal; pede-me, apenas, que continue assistindo sua programação (e se possível, compre os produtos de seus anunciantes).
Realmente, eu conheço algumas pessoas que prosperaram graças à IURD: Edir Macedo e o Bispo Rodrigues são exemplos inquestionáveis. Eles sabem o que fazem, pois insistem em explorar a
credulidade de seus fiéis impondo-lhes candidatos a cargos eletivos. Com isso tentam resguardar a liberdade de atuação da igreja, pois quem poderia ameaçar uma instituição que conta com senadores, deputados e vereadores em seus quadros? Seus fiéis, que são a exclusividade de votos desses políticos, não possuem discernimento suficiente para separa fé de poder, e votam, sem exceção, nos candidatos que a igreja apresenta.
Ocorre, então, o clientelismo, pois é interessante para qualquer
candidato à chefia do executivo (presidente, governador ou prefeito) obter votos maciços de comunidades como essa. Depois de eleito, basta negociar alguns cargos e permissões, e pronto. Parece receita de bolo, mas é assim que a Universal se mantém e cresce, permitindo ao conglomerado de empresas do senhor Edir Macedo, colocar-se, atualmente, entre os 100 maiores grupos empresariais do Brasil. É como se os dízimos fossem ações compradas pelos fiéis e revertidas para o seu líder.
Não gostou?
Vá queixar-se ao bispo.
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