O Cesar Maia é uma figura. Ele é, inqüestionavelmente, inteligente. Foi um dos escudeiros do governador Leonel Brizola, desde o c

aso Proconsult (1982), sendo impulsionado em sua carreira política. Não é, ao contrário da maioria dos políticos brasileiros, desonesto, mas, às vezes, parece não bater bem da bola. Essa última dele, dizendo que iria à Bahia pedir a ajuda do Senhor do Bonfim no combate ao mosquito da dengue, foi uma piada. Certamente o prefeito da Cidade Maravilhosa não é o único culpado por toda essa tragédia que assola o Rio de Janeiro. Mesmo porque o mosquito não é municipal. A responsabilidade é de todas as esferas públicas: a cidade do Rio de Janeiro, por ser núcleo do Grande Rio, o estado do Rio de Janeiro, pelo fato da epidemia ocorrer em municípios seus, e o Governo Federal, por ser responsável pelo SUS. Mas isso não importa tanto; culpado ou não, o Cesar Maia deveria medir um pouco melhor sua palavras, pois o Brasil todo riu daquela argumentação. Além do mais, ele podia ter pedido ajuda ao Cristo

Redentor, que além de representar a mesma entidade que o Senhor do Bonfim, é tão carioca quanto a epidemia. A dengue é um problema moral, pois se toda a máquina do Governo (nas três esferas) estivesse investida em suas obrigações, certamente o problema não teria atingido tais proporções. Vou radicalizar: grande parte da responsabilidade dessa tragédia deve-se aos corruptos e ineficazes governos de uma tal família do norte fluminense, e à incapacidade da Bené. Um estado complexo como o Rio de Janeiro não pode resistir a oito anos de desgoverno. O governo federal (com letras minúsculas) deu uma dentro, orientando criação de hospitais de campanha para auxiliar no tratamento dos doentes, mas não é conveniente tanta demora. O problema poderia ter sido

minimizado se essa medida tivesse sido tomada antes. As forças armadas estão estagnadas, sem objetivos. Ações como esta, como o auxílio às polícias estaduais em situações de ameaça à paz pública, dão forma e função à atividade militar. Exército, Marinha e Aeronáutica custam muito aos cofres do governo, mas dão pouco retorno ao país. Um militar deve ser um operário da nação, e não um burocrata.Tomara que os políticos eleitos para governar, governem, e livrem a população brasileira do terror criado por essa epidemia. E tomara que o Cesar Maia pare de dizer besteira.