quarta-feira, 26 de março de 2008

Os caminhos da educação

Qual a sua idade?

Se você tem mais de 35 anos, vai entender minhas palavras.
Eu tenho 43 anos (nasci em 1965). Sou carioca, estudei no Colégio Metropolitano, no Méier, da 5ª à 8ª série, e fiz o 2º grau (atual Ensino Médio) no extinto Colégio Comercial Professor Clóvis Salgado, em São Cristóvão, perto da Praça da Bandeira.
Eu tinha na época, uma estrutura familiar sólida, com excelente formação social dentro de minha própria casa. A escola era uma extensão da família. Havia rigidez em ambas esferas. Dentro de casa, aprendia a me relacionar com o resto do mundo, aprendia sobre respeito, solidariedade, e outros elementos que consolidavam minha formação pessoal e caráter. Na escola, aprendia a me dedicar a metas, buscar objetivos, compreender padrões lógicos de pensamentos, visando formar minha posição funcional na sociedade. Nos dois grupos estava implícita uma hierarquia que me ensinou a comandar e ser comandado.
Eu costumava ouvir, das pessoas mais velhas, que da década de 1960 para baixo, as melhores escolas eram as públicas (no Rio de Janeiro, o Colégio Pedro II, o Instituto de Educação, a Escola Técnica, o Ferreira Vianna, o Carmela Dutra, entre outros). Os professores eram rígidos, exigentes e, invariavelmente, competentes. Quem não conseguia vagas numa boa escola pública tinha que estudar numa particular. Vários fatores agiram para reverter essa condição, mas os principais foram a queda no nível dos professores e a irresponsabilidade e descaso da classe política diante da educação pública. Isso valorizou o ensino privado e desvalorizou o ensino público. A quantidade de escolas particulares cresceu, e a selvageria capitalista foi, pouco a pouco, transformando a educação numa atividade enriquecedora. Os donos de escolas deixaram de ser idealistas e se transformaram em empresários; os que antes enxergavam a função social da escola, tendo como principal objetivo formar cidadãos dignos, passaram a ver cifrões em cada aluno.
Antes, se um aluno não alcançava suas metas, a reprovação era inevitável. Hoje, se um aluno não consegue a média mínima para aprovação, a escola passa por cima do professor e aprova o aluno, senão o aluno muda de escola, e faz a tal da "dependência".
Por muitos anos dei aulas de matemática em escolas e cursos, por vários estados do Brasil. Atualmente, trabalho numa instituição particular de ensino, mas na área de informática, pois não consigo me identificar com os padrões vigentes de ensino. Veja: nessa escola a nota bimestral (de 0 a 10 pontos) de aluno é resultado do somatório AVALIAÇÃO (de 0 a 4 pontos) + PARTICIPAÇÃO (de 0 a 2 pontos) + FREQÜÊNCIA (de 0 a 2 pontos) + ATIVIDADES (de 0 a 2 pontos). Isso significa que se um aluno não faltar às aulas, nem atrapalhar o andamento destas, e entregar aos professores as tarefas de casa (que poderiam ter sido feitas por qualquer pessoa -um irmão, primo, ou pai por exemplo), ele garante 6 pontos, podendo tirar "zero" nas avliações (as tradicionais "provas"), e mesmo assim, obter aprovação.
Se um aluno não gostar de um professor, por ele ser exigente, ou por ele ser sério, e reclamar junto à coordenação, sabe o que a escola vai fazer? Mandar o professor embora, pois é fácil conseguir outro para substituí-lo. O que a escola não vai querer, de forma alguma, é perder o aluno, pois o aluno paga mensalidades. Numa visão "contábil", aluno é receita e professor é despesa. Por isso, o pré-requisito mais importante para fazer uma carreira docente de sucesso é " ser agradável". Se o professor tem conhecimentos ou não em sua ciência, é secundário. Fundamental é "ser agradável". Alguns conseguem ser, ao mesmo tempo, agradáveis e competentes, mas a maioria, ou é um ou é outro.
Sabe em quem o capitalismo se apóia para realizar toda essa destruição?

Numa classe que teoricamente, deveria trabalhar para enriquecer cada vez mais a educação, mas na realidade trabalham para enriquecer os empresários da educação: os PEDAGOGOS. Estes teorizam doidivanamente, atirando com uma metralhadora giratória e os olhos vendados.
Como uma pessoa pode saber a maneira correta de se ensinar matemática (por exemplo), ela própria não sabe matemática?
A tal da psicopedagogia diz que "o aluno deve fazer o que quer, e não deve fazer o que não quer". Desta forma, se o aluno não quer assistir aulas, você não pode contrariá-lo. Se ele que "bater papo", você tem que deixá-lo à vontade.

QUE EDUCAÇÃO É ESSA???

Se os métodos não forem modificados, se os valores não forem revistos, nossa sociedade corre o sério risco de ver agumas gerações perdidas, pois, aproveitando a conexão escola-família, estabelecida inicialmente, também temos uma ruptura sensível na estrutura familiar. Econtramos, dessa forma, quebras nas duas bases principais da formação social, moral, comportamental e intelectual do indivíduo.

Pensemos nisso.

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